O Manuel era um miúdo que começava a conhecer a vida, estava naquela fase da descoberta( o salto de criança para jovem). Era a primeira vez que tinha umas ferias na praia, sozinho sem a presença dos pais. Presente por passar de ano. Tudo era novidade, tudo causava uma certa admiração e aquela criança irrequieta dava lugar a um jovem, que ficava um pouco contido a cada nova situação pois não sabia como reagir e para não fazer má figura, agia sempre com muito cuidado.O Manuel estava com mais crianças a gozar uns dias de praia em uma colónia de férias, acompanhados por uma pessoa mais velha. Pessoa essa que os orientava em todas as tarefas a executar diariamente. O Manuel e os demais companheiros passavam os dias inteiros na praia, com diversos jogos, passeios de barco, aprender a resolver situações de primeiros socorros, enfim um sem números de actividades que ocupavam o dia todo. Todos estavam a adorar...
Certo dia, ao fim da tarde, a maré estava a vazar e ficava um areal, que pelas dimensões mais parecia um campo de futebol e então todos os jovens que frequentavam a praia aproveitavam para fazer um grande jogo de futebol, jogo em que só entravam rapazes, porque todos davam o melhor de si e...ninguém gostava de perder. Engraçado, as meninas ficavam de fora a assistir. Eram a claque, ora puxavam para um lado ora para outro, não tinham preferência.
A certa altura do jogo havia um empate, já quase de noite, um lance em que a disputa de bola foi um pouco mais dura, deu-se um choque frontal entre o Manuel e um adversário. A pancada foi tão forte que o Manuel caiu na areia e perdeu os sentidos. O pânico estava no ar! Todos estavam preocupados! Todos culpavam o Pedro pela dureza com que entrou na jogada! Chamaram-lhe todos os nomes possíveis! Alguns queriam chamar a ambulância.
Mas nesse momento o Manuel abriu os olhos!... Começava a reagir! No meio de tanta discussão, o Manuel começava por mexer um braço, depois o outro, uma perna... para grande alivio de todos só tinha uma canela ferida e já estava a inchar....
O jogo acabou nesse momento, já era tarde e estava quase na hora de jantar.
Não conseguia andar sozinho, entre os braços de uns e outros conseguiu chegar a casa, depois foi o tratar da ferida. Ao jantar, todos comentaram o acontecido e deram a sua opinião.
Depois do jantar o Manuel quis ficar em casa a descansar, com um pouco de dores na perna conseguia ver um pouco de televisão. Mas um corte de energia consegue com que fique tudo às escuras durante uns minutos...
O Manuel deitado em uma espreguiçadeira, sem luz e com um silêncio precioso reviveu toda a situação do embate, da recuperação da memoria, do acordar na areia rodeado de miúdos como ele. E reparou que estava lá uma amiga com uma cara de muito preocupada com a situação, era a Maria. A olhar para a luz da lua, esboçou um sorriso...
Continua...